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Consultor e desenvolvedor de sites e apps em Curitiba, PR, Brasil

Como Ser Feliz: Método Cientificamente Comprovado

O Marcelo mandou um link no grupo do WhatsApp.

The Science of Well-Being – YALE – Coursera“.

O trabalho dele sempre o deixa informado das coisas interessantes acontecendo na ciência e tecnologia. Taí um caso como exemplo.

Um curso sobre felicidade, que legal. Deve ser bastante interessante. Mas não é pra mim. Não consigo nem me organizar em torno das coisas que sou obrigado a fazer, imagina acompanhar um curso online. Não tenho a disciplina.

O Fernando falou que vai fazer. Que bom, ele vai gostar. Eu também gostaria. Mas não tenho a disciplina.

Marcelo diz que também não é disciplinado mas que o Coursera manda avisos por email, pelo app, por telegrama…

Quer saber, vou me cadastrar porque perder não perco nada, o Coursera me avisa e faço a primeira semana para ver qual é.

E fiz. E fiz todas as 6 semanas. Em torno de 2 horas a cada uma ou duas semanas e terminei. Bem verdade que foi todo fora dos prazos sugeridos por eles. Mas aí, até que eu tive um pouco de disciplina.

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Laurie Santos, 42, é professora do Departamento de Psicologia de Yale. Sua disciplina é a mais popular nos 316 anos de história da prestigiada universidade americana. Neste ano, 1200 alunos se registraram para ouvi-la falar a respeito das descobertas da ciência sobre a felicidade.

Da popularidade veio a ideia de criar uma versão curta da disciplina e colocar na internet. Para nossa sorte, gratuitamente via Coursera.

A primeira parte do curso introduz todas as ideias erradas que temos sobre felicidade. E mostra como é que nossa mente nos engana para darmos tanta importância a elas.

A parte seguinte é usada para mostrar o que fazer para lidar com estes problemas. Estratégias embasadas por estudos científicos que tem o poder de mudar nossos hábitos.

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Na ciência há que se medir o antes, o durante e o depois. Pois começamos recebendo a instrução de fazer um “Teste de nível de felicidade autêntica“. E devemos repeti-lo ao longo das 6 semanas (e quiçá ao longo da vida) para verificar se nossas ações estão surtindo efeito.

O que te faz feliz?

Não é muito dinheiro.

Na verdade um pouco de dinheiro é bem importante. Nos Estados Unidos esse valor gira em torno de 75 mil dólares anuais. A ideia é ter todas as suas necessidades básicas supridas. Qualquer valor além, pode até te fazer mais infeliz.

Não é um casamento.

A felicidade sobe junto com a expectativa de casar e visualizar uma vida eterna com a pessoa amada. Mas as pesquisas são claras: 2 anos depois o nível de felicidade do casal volta ao nível normal. Ninguém é mais feliz apenas por ter casado.

Não são notas boas.

O efeito que notas boas e ruins tem sobre a felicidade são passageiros. Esperamos que tais números nos afetem de forma muito importante, mas quando se mede, se vê que o efeito é muito menor que o esperado.

Não é um corpo perfeito.

Pessoas que emagrecem bastante e alcançam seu corpo perfeito correm riscos altíssimos de desenvolver problemas que no final das contas afetam negativamente sua felicidade. Não significa que emagrecer é ruim, mas sim que emagrecer pelo motivo utópico do corpo perfeito é.

Não são os objetos incríveis (oi meus ex-queridos iPhone X, Tesla, Drone, etc).

Nos adaptamos rapidamente a tudo. De tempos em tempos se lança um smartphone diferente e agora o anterior, que era nosso sonho de consumo, vira um estorvo. Pior: nosso carro que antes era uma maravilha de prazer agora é um problema gigante do qual temos que nos desfazer para…comprar um mais novo.

Miswanting

Esta palavra que não consegui traduzir para o  português significa: as coisas que nós achamos que queremos e que no futuro não iremos gostar mais.

Acontece que nós temos intuições a todo momento e a maioria delas está errada.

Tudo é relativo

Para a nossa máquina de querer, tudo é relativo. Nosso cérebro não tem ideia do que é bom ou ruim, do que é rico ou pobre. Então ele busca desesperadamente por sinais, e encontra farto estoque deles na TV e nas Redes Sociais, por exemplo.

Um estudo mostrou que alunos que estão para se graduar preferem ganhar 50 mil e seus colegas 100 mil do que ganharem 100 mil enquanto seus colegas ganham 250 mil. A cada $1 dólar que ganhamos, queremos um incremento de $1.40.

Acostumado

Como já dito, nossa mente se acostuma com tudo. E pior, nós não nos damos conta disso.

O que fazer para resolver?

Coisas legais: troque-as por experiências legais. Por quê? Experiências acabam. Seu cérebro não terá tempo de se acostumar com aquelas férias na Europa. Vai ficar a lembrança deliciosa (e reviver boas memórias nos deixa bastante felizes).

Saboreie as experiências: tente se colocar fora do seu corpo, tente olhar como um expectador. Se dê conta que um dia aquilo que você tem não existirá mais. Tem uma palavra para resumir o que vem depois desse momento.

Gratidão: cliche gigantesco, efetividade gigantesca. Sentir-se grato por experiências que você vive ou viveu é uma forma gratuita e eficaz de ser feliz.

Evite adicionar pontos de referências irreais: isso mesmo, abandone as mídias sociais. Estudos mostram que parar de usar mídias sociais nos faz muito mais felizes do que ganhar dinheiro. O problema das mídias sociais é que elas viciam nosso cérebro em pontos de referência irreais: todo mundo é feliz, todo mundo faz viagens, todo mundo se diverte, as pessoas tem as coisas que eu não tenho, etc. Lembre-se, nossa mente funciona em termos relativos.

E o que mais?

Repense as coisas que você quer e as queira pelos motivos certos.

Um bom emprego não é aquele que paga bem, mas sim aquele que nos dá oportunidade para utilizar nossas fortalezas. Pesquisadores criaram um teste para você descobrir quais são as suas.

Boas notas: descobriu-se que a motivação externa pode destruir nossa motivação interna caso tenhamos um padrão fixo de mentalidade. Mas todos podem ter um padrão de crescimento, basta aprender sobre ele. Isso mesmo, o simples fato de ler a respeito de um mindset positivo (saber que nosso cérebro é maleável e podemos aprender a respeito de qualquer coisa) ajuda a remover a parte ruim das motivações externas!

Gentileza: deu-se $5 para pessoas aleatórias. Mediu-se a felicidade de todos. Para o primeiro grupo foi pedido que gastassem o dinheiro com eles mesmos, como quisessem. Para o segundo grupo foi pedido que gastassem o dinheiro com outra pessoa. Depois mediram o nível de felicidade subjetiva de ambos os grupos e quem gastou o dinheiro com outras pessoas teve mais que o dobro de aumento no nível de felicidade subjetiva.

Os outros pontos importantes para ser feliz são:

Conexões sociais: por mais simples que sejam, até um sorriso para pessoas estranhas já ajuda no nível de felicidade (de ambos). Puxe conversa com desconhecidos, pesquisas garantem que antes parece ruim, mas depois as duas pessoas ficam muito mais felizes.

Ter um tempo livre: o tempo que você pode “jogar fora”, fazer algo que gosta com ele, não se preocupar.

Controle da própria mente: não deixar sua mente ficar vagando por aí a todo momento, pensando no futuro, nos problemas. É daí que a prática de meditação é tão efetiva. Concentrar-se no aqui e agora afeta bastante a nossa felicidade.

E por fim aquele óbvio: sono suficiente (pelo menos 7 horas por noite) e exercícios físicos.

Trecho do livro Sapiens de Yuval Noah Harari
Sapiens – Yuval Noah Harari

Eu já sei isso tudo, mas não tenho a disciplina

Pois que existem ferramentas que podem te ajudar.

#1 – Remova do seu dia a dia tudo o que sugerir ações contrárias aos seus objetivos. Quer comer menos besteira? Pare de comprar chocolates, ao invés disso compre frutas e deixe-as bem visíveis.

#2 – Defina objetivos que você possa medir. O segredo está em visualizar de maneira clara onde quer chegar, e só depois disso, tentar imaginar quais são os desafios até lá.

#3 – Faça planos do tipo “SE – ENTÃO”. SE eu abrir o Facebook no celular, ENTÃO eu vou fechar e excluir o aplicativo. SE eu comer esse chocolate fora de hora, ENTÃO não vou mais comprar chocolates. Parece bobagem, mas o fato de planejar desta forma ativa os comportamentos automáticos do nosso cérebro. Quanto mais tempo você coloca em mentalizar essa conexão, mais efetivo será seu “alarme interno” que irá te ajudar a evitar se entupir de doces ou perder horas em redes sociais.

A pesquisadora Gabriele Oettingen resumiu no acrônimo WOOP:

Wish: pare por 5 minutos e analise qual é o seu desejo. Tente identificar o que você quer. É isso mesmo que você quer?

Outcome: visualize esse deu desejo concluído, tente de fato sentir o que você acha que vai sentir ao ser bem sucedido.

Obstacles: só depois de visualizar o sucesso, jamais antes, comece a analisar o que pode te impedir de alcançar aquele objetivo. O exercício te mostrará quais são as coisas que merecem atenção para que sua ação seja efetiva.

Plan: aplique o SE / ENTÃO aos seus planos. SE acontecer este obstáculo, ENTÃO vou agir desta forma para resolver.

É uma ferramenta simples, mas que está embasada em diversas pesquisas (com idosos, com jovens, com pessoas de diversos países e culturas diferentes) e funciona de fato. Funciona porque ativa gatilhos automáticos em nossa mente.

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Eu aqui comigo pensando. Essas coisas fazem sentido.

As épocas em que eu mais conseguia resolver problemas na minha vida sempre vieram após calmarias em que eu parava, analisava meus objetivos, via onde queria chegar, prestava atenção no caminho e depois fazia um plano.

Ser feliz é querer menos, é viver mais, é compartilhar a vida. Cientificamente comprovado.

"- Acho que o segredo da felicidade - prosseguiu - está na gente gostar daquilo que tem: sua casa, seus parentes, seus amigos, sua profissão, sua terra... - Respirou fundo e, como quem acaba de fazer uma grande descoberta, disse: - Santa Fé é a melhor cidade do mundo, Bio, e eu sou um homem feliz.
O Retrato – O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo

E se você não acredita em mim (nem deve). Vá e assista as palestras e leia os materiais de The Science of Well-Being. E você nem precisa pagar os mais de 50 mil dólares da matrícula em Yale.

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