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Homo Deus (Companhia das Letras – 2016)

Yuval Noah Harari é historiador, escreveu Homo Deus como sequência para do seu primeiro best-seller, Sapiens, no qual conta como a espécie Homo Sapiens competiu com outras espécies humanas, dominou o mundo e chegou até o presente. Em Homo Deus, tece uma visão das características do presente para extrapolar as possibilidades para o futuro.

Humanismo

Sua tese parte da revolução cognitiva humana, a qual teria nos capacitado a tecer histórias imaginárias compartilhadas por grandes grupos humanos. Desde então, estes grupos foram se tornando mais sofisticados. Na história recente observamos a queda de Deus como principal força motora humana enquanto a “religião humana”, o humanismo, toma seu lugar.

Dentro do humanismo, três correntes competiram entre si: liberalismo, socialismo e humanismo evolutivo. Com a derrota do nazismo, o humanismo evolutivo perdeu seu principal apostador (Hitler cria na necessidade de intervir e “salvar” o processo darwinista de evolução humana para evitar a degradação e consequente extinção da nossa espécie). Com a queda da URSS, o mais forte bastião comunista, o humanismo socialista foi derrotado. A corrente vencedora, humanismo liberalista, venceu com seus supermercados e democracia.

No entanto, venceu não por ser mais sagrado ou por fazer os humanos mais felizes. Yuval sugere que essa vitória é produto do processamento distribuído de dados. E que no século XX esta era a forma mais eficiente de desenvolvimento.

Humanos são processadores de dados

É só então no fechamento da obra que Yuval nos revela que a busca do humanismo (em especial pela corrente humanista liberal) pela felicidade da sacra vida humana encaminha a espécie para seu possível descarte na lixeira da História. O motivo é que a biologia nos aproxima de uma visão algorítmica da vida. Todos os nossos processos seriam apenas formas de processamento de dados. Sendo o Homo Sapiens o melhor nesta tarefa, prosperou diante de todos os competidores, porém, com o desenvolvimento tecnológico (em especial da inteligência artificial) é possível que estejamos a um passo de tornar nosso processamento de dados orgânico em algo obsoleto.

A previsão é ampla mas repleta de exemplos atualíssimos de como a especialização humana não consegue competir com computadores, que já existem, como por exemplo, carros autônomos.

Livre arbítrio não existe

Outro ponto de destaque na obra é a questão das nossas “escolhas”. A vida como um punhado de algoritmos operando deterministicamente ou probabilisticamente como resposta ao ambiente, destrói o livre arbítrio humano.

Somado a isso, as recentes pesquisas de neurociência apontam que não somos um perfeito indivíduo. Existem pelo menos “dois eus” com intenções e responsabilidades diferentes operando dentro de nossas cabeças.

Homo Deus é um livro fácil de ler e que costura uma grande tese através de  diversas outras menores. Apresenta uma miríade de exemplos históricos que compelem o leitor a puxar o celular e fazer algumas pesquisas no Google para estender o conhecimento. Tantas conexões inéditas são uma fonte fértil para novos insights para aqueles interessados em adivinhações sobre nosso futuro como espécie e em caráter final da pergunta “o que sou eu?”.

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