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  • Grizzly Man 2005 Avatar 2009

    ![Avatar]

    Assisti Avatar no IMAX, e mesmo antes do fim do filme, antes da sua metade, já o odiava completamente. A história é ruim, os personagens são péssimos e a \”mensagem\” passada pelo filme é ridícula. James Cameron usou-se simplesmente do marketing para levar milhões de pessoas aos cinemas, que contemplaram um dos maiores pedaços de merda cinematográfica já produzidos. Assisti Grizzly Man e próximo do fim do filme já pensava em um paralelo entre ele e Avatar. Grizzly Man conta a história REAL de Timothy Treadwell, um ambientalista estranho que teve um lixo de vida comum até se descobrir como amante dos ursos pardos do Alaska, para onde viajou por 13 verões, e nos últimos filmou mais de 100 horas de sua vida em meio a um dos animais mais selvagens da natureza. O que a história de Avatar tem em comum com a história de Timothy?

    ![Grizzly Man]

    Avatar insistiu em passar uma ligação da natureza com os seres que a habitam, usou-se de símbolos exageradamente explícitos (como o cordão que sai do cabelo dos Na\’vi) para elucidar seu ponto de vista: todos os seres fazem parte da natureza, sendo esta natureza divina por permitir a vida de todos os seres. Aproveitando a liquidação no brechó dos clichês, James Cameron resolveu colocar uns militares mercanários expressando o lado malígno do ser humano, é a luta do bem o de mal. Não consigo me abster de comentar os péssimos papéis desempenhados pela força mercenária em Avatar, vai contra a realidade de uma forma bizonha. É falta de respeito da hierarquia, é coronel no estilo rambo que não responde a ninguém, péssimo uso dos recursos bélicos, e tudo mais. Aliado desse péssimo ponto no filme, está o abuso de recusos visuais no planeta Pandora, em que o chão parece um daqueles caros tapetes de dança, que brilham onde são pisados. Totalmente desnecessário. Em resumo, Avatar não passa de mais uma cara propaganda Democrata contra a estereotipada ideologia Republicana. Na verdade Avatar não está alí para passar uma lição sobre vida e natureza, se quer ver isso, assista Grizzly Man. O diretor Werner Herzog usou as imagens que Timothy fez nos verões do Alaska, vivendo em meio aos ursos pardos, para mostrar como é misterioso o caminho que algumas pessoas decidem tomar para suas vidas, e como diz Herzog (que narra o filme) mostrar a própria natureza humana. Não é um filme sobre natureza selvagem, e sim sobre a própria natureza humana e a forma como não nos relacionamos com ela. As imagens de Timothy impressionam não só pela beleza estética das regiões remotas do Alaska, elas são carregadas de significado, como na cena em que uma raposa está brincando em cima da barraca de Timothy. Vejo, portanto, Grizzly Man como sendo um filme bem sucedido na tarefa de mostrar a natureza em sua forma pura e divina, sem qualquer ideologia estereotipada. A morte de Timothy Treadwell, comido por um urso, é, não o final da sua jornada, mas a continuidade, e é como Treadwell se torna parte completa da natreza que tanto amou, que no final lhe trouxe uma paz por meio irônico mas esperado. A dica é: fuja de Avatar, e se possível assista Grizzly Man, um ótimo filme que se torna especial por sua história ser real, assim como Into the Wild (2007), que provavelmente a maioria dos leitores deste blog já assistiu.

    2010-02-16T16:25:02.000Z

    February 16, 2010
  • Nao Quero Dormir

    Todos os dias tudo previsível, como era, está. Tudo igual ao que aconteceu ontem, e antes. Não quero dormir, para não acordar nestes mesmos dias.

    abril 25, 2010

    January 1, 2010
  • As Tres De Uma Madrugada Qualquer

    Não consigo dormir. Minha boca e nariz secam tão rápido com a respiração que posso sentir o gosto do frio que está agora em Curitiba. As coisas não andam tão bem quanto aparentam. Sempre uma questão de aparência/realidade, o mundo não passa de aparências, e daí o conflito das coisas que realmente são e acontecem. Quero culpar o sal da comida, culpar o dia exaustivo, os problemas de trabalho, mas sei que não são estas coisas as quais perambulam pela minha cabeça me deixando preocupado. Sei que não é A, porém não sei se é B, ou C, ou D, e por aí até faltar letras.

    Sei que encontro um pouco de paz no aprendizado, mas não consigo aprender o quanto eu gostaria. A disciplina que me falta talvez seja a causa de boa parte da minha angústia.

    Os minutos passam, já vai ser completa a primeira hora de sono perdido. Pressa no trânsito, e aqui na cama o que sinto é o frio, angústia, frustração e a boca seca. E a água não resolve.

    Não consigo dormir pensando em tudo, pensando no futuro. Pensar no futuro foi, até um tempo, combustível para aprender, para ter vontade que fizesse livros serem folhetos em minhas mãos tão rápido era minha completa leitura deles.

    E ninguém resolve. Ninguém ajuda. Alguém tem que resolver? Ajudar? Por que tanto acho que como eu faço com relação às pessoas é como elas tem de fazer para mim? Por que insisto em ser bom, mesmo não parecendo. Aparências novamente.

    A falta de vontade me prende. Tudo dói, sem cortes, sem dores, mas dói.

    Conversar. Por que é difícil para as pessoas verem que é uma simples conversa do que eu preciso, cadê a amizade que falam por aí. Problemas, tudo traduzem em problemas. Se o mundo está correndo, e você não acompanha, o problema é seu. Faz tanto tempo que não sinto uma ponta sequer de amizade, e incrível, estou cercado de amigos.

    Preciso escrever mais, escrever me ajuda a respirar, ajuda a pensar.

    Preciso parar de correr. Corri tanto que muitas das coisas importantes ficaram para trás.

    Preciso de tempo para pensar e me concentrar nas coisas que me são importantes.

    Preciso de uma conversa.

    O único laço de felicidade, o que me faz não esquecer de como é viver de verdade, é ela.

    maio 28, 2010

    January 1, 2010
  • As Meninas E Meus Sonhos

    Como todo adolescente normal, eu era frustrado quanto as mulheres. Não bastasse meu próprio corpo e pior, minha cabeça, passando por transformações explosivas, ainda tinha que tentar entender as mulheres e o porque de me sentir atraído por algumas em especial. Jamais tive uma paixão correspondida, o que me faz até hoje cuspir em todos os clichés de amor, e aprendi tarde a namorar (o que tanto não importa agora).

    Tudo o que fui é o que sou e o que vou ser, se eu me arrepender de qualquer coisa do passado meu presente será automaticamente depreciado e a posibilidade de deprimir-se com isso é gigante. Tento acreditar que a vida não tem dessas coisas de bem ou mal, deus ou diabo, você simplesmente vive. As coisas vão acontecendo e temos pouco controle sobre tudo.

    Já dormi ao lado de princesa para acordar ao lado de abóboras, o efeito mágico do álcool quando entra em nossas vidas é coadjuvante de fatos que viram história, e alguns, lendas. Conheci algumas garotas bonitas, mas as pontas de paixão eram logo deixadas pro vento, e lá estava eu novamente imerso na minha ideologia contra ideologias, racionalismo é vida, essas coisas de rebeldes sem causa. A maior parte mesmo foram garotas “não-bonitas”, que também perdidas nesse mundo que não reage da forma como mostram nos filmes, aceitavam um tempinho de prazer e diversão. Devidamente descartado no outro dia juntamente com a sacola de lixo onde estavam as camisinhas usadas.

    Como disse, se arrepender do passado é um mero reflexo de um presente inóspito aos teus sentimentos, é um dia frio que te faz ver universos paralelos nos quais você brinca, em águas quentes dos trópicos, com uma garota linda (não esquecer que nestes sonhos nosso corpo é a perfeição grega de beleza). Ainda não sei qual vem primeiro, se o sonho ou se o arrependimento.

    E os sonhos também tem jurisdição no futuro, por isso são poderosos. Desde a minha adolescência sonhava em ser independente, ter uma vida interessante e conhecer meninas legais. Aí cresci e tenho nas minhas mãos dois filmes: um me mostra realizado, feliz, independente, conheci meninas legais e várias vezes sob a garoa parei meu carro em respeito a um sinal vermelho ouvindo músicas inebriantes. E n’outro estou preocupado com meu futuro, sem saber se realmente sou independente, que conheci garotas estranhas, quando fiz coisas que não deveria, no carro sob a garoa, entristecido por ter pensado que meus sonhos eram tudo o que eu precisava.

    Não sei, enfim, se as meninas dos meus sonhos existem, ou se meus sonhos novamente não são o que eu preciso de verdade. Talvez aqueles chiclês de amor em filmes alternativos sejam um saída, afinal, é a vida.

    fevereiro 26, 2010

    January 1, 2010
  • Terminei Minha Graduacao Na Universidade

    ![]

    E agora, o que fazer? A) Mestrado. B) Nada. C) Trabalhar para uma grande empresa.

    2009-12-17T15:21:35.000Z

    December 17, 2009
  • As Nuvens Dele

    ![NUVES]

    Vou contar um fato estranho que aconteceu na minha vida na data de 27 de maio do ano passado. Eram por volta de onze horas da manhã quando recebi um telefonema em meu aparelho móvel, era o Carlos convidando-me para almoçar, minha esposa estava viajando na ocasião, e então aceitei o convite. Carlos se tornou meu sócio há oito anos quando me convidou para abrir uma empresa de venda de nuvens personalizadas. sabia sobre o assunto e tinha uma grana, estava em igualdade com Carlos e então apostamos na idéia e abrimos a empresa. Um bom trabalho de relacionamento fez a empresa decolar em pouco mais de dois anos de operação. Vendíamos nuvens para todo tipo de evento. Nevoeiros para parques de diversão, stratus coloridos para raves, cirrus para feriados nacionais, etc. A empresa era um sucesso e resolvemos abrir um modelo de franquias que rapidamente teve unidades instaladas nos cinco continentes. Cheguei no restaurante, encontrei Carlos e cumprimentei de longe, sua face estava azeda o que me fez por um segundo imaginar o trabalho das glândulas salivares do Carlos reagindo a algum aperitivo de gosto forte, mas não era isso. Após uma conversa quebra-gelo sobre a rodada do campeonato brasileiro de Rolimã do dia anterior, meu sócio tomou um bom gole da cerveja, inspirou profudamente e revelou: tenho algo que quero que ouça. Tirou um gravador do bolso e pressionou uma tecla para ativar a saída do som, debrucei-me sobre a mesa para prestar atenção:

    \”sacolé mermão, aqui é Deus e eu tenho um bisu pra passar pra ti. Tu para de brincar com minhas nuvens cara, pode mexer na terra, plantar, colher, clonar animais, criar novas doenças, manipular a porra do DNA mas não mexe com as minhas nuvens. \”

    Eu ri. Mas vendo que Carlos não arredou a posição séria logo parei e perguntei que porra era aquela. E lá veio a explicação do meu sócio. Segundo ele, a ligação tinha sido recebida alguns dias antes. Havia desconsiderado o assunto por três tentativas até que o outro lado da linha falou que poderia provar que era Deus. Iria fazer sortear os números 2,4,8,19,30,58 no concurso da Mega Sena. E funcionou? Perguntei para ele. \”Veja, saiu 2,4,8,18,30,58, uma Quina, o que já é foda de acertar\”. Aí comecei a ficar cabreiro com o fato que estava sucedendo. \”Tem mais, Deus falou que realizaria um pedido nosso em troca de pararmos com o negócio de mexer nas nuvens dele, fiquei de dar um toque quando tivesse decidido algo\”. Conversamos por longas duas horas naquele restaurante até chegar a conclusão que era melhor não desafiar alguém que acertava na quina da Mega Sena jogando apenas seis números secos. Carlos ligou pra Deus e pediu milhões de dólares em nossas contas bancárias, Deus providenciou. Fechamos a empresa de nuvens, e abrimos uma Igreja. __ foto: D\’arcy Norman on flickr.

    2009-07-31T05:28:24.000Z

    July 31, 2009
  • O Estagiario E A Ged

    Arquivo da
vida

    O professor está pedindo, então vou escrever um relatório contando minha história no estágio. É uma história complicada, mas que no fim deu tudo certo. Sou aluno de Administração de Empresas pela FAGENPE (Faculdades Genéricas de Pelotas), estou a ponto de concluir meu curso. Na metade do segundo ano a união da necessidade de dinheiro com a possibilidade de adquirir experiência me conduziu a ser um cadidato na vaga de emprego numa grande empresa do ramo dos calçados. O emprego era uma merda mas o dinheiro que eu conseguia ajudava a pagar os remédios da minha avó que sofria naquela ocasião com dores dilacerantes nas tripas causadas por alguns tumores malígnos. Na entrevista fui obrigado a escrever uma redação e a responder várias perguntas para uma psicóloga vesga, ressalto o problema com os olhos da psicóloga para que todos tenham ideia do esforço dispendido por mim para olhá-la nos olhos, como recomendou o Max no Fantástico na semana anterior. Éramos oito candidatos dos quais apenas eu e a menina gostosinha passamos. A gostosinha foi conduzida para ocupar um cargo como secretária de um dos executivos, fato estranho já que na oferta de emprego não constava tal vaga. Eu, fui para a vaga de Auxiliar de Escritório. Fui bem recebido por todos os funcionários do escritório. Eram dezoito pessoas trabalhando com as vendas, com as compras, marketing e outros departamentos menos importantes. Fiquei chateado por nunca terem perguntado meu nome, chamaram-me na primeira vez de Binho, e como Binho fiquei. Comecei carregando papéis, buscando clips borracha cd virgem elástico caneta post-it envelope grampos e ajudando no picoteamento de papel. Não era bem o que eu buscava, mas pensava na gorda bolsa de ajuda de R\$570+VT por 6h de trabalho, e então me confortava. Depois de uns meses foram me cedendo tarefas mais importantes e chegou um momento que praticamente me consolidei em uma posição. Era responsável por organizar os milhares de documentos dos arquivos da empresa. Muita responsabilidade, gostava da sensação de ser confiado. Quem lembra de arquivo geralmente arremete a algo estacionado, entretanto comigo era a correria todo o dia. Não passava meia hora sem que alguém discasse para meu ramal: \”Binho tu me vê o contrato com os china, mãs venha rápido guri, tô no telefone com os caras\”. E lá eu ia correndo. Era trabalhoso, mas eu estava feliz com aquilo por enquanto. Nem formado estava e já ganhando R\$650 (aumento!) com benefícios, quem é que tem uma oportunidade dessas? Tudo estava na rotina até que um dia meu mundo sofreu o choque de um asteróide. O seu Genival do Vendas me chamou na sua sala e proferiu sem muitas delongas: \”implantamos um sistema aí, não precisamos mais de ti pra arrumar os documentos. Vamos descartar tudo, sistema aí chama géde, agora nego vai digitar no computador e ter o documento na hora, não precisa mais te ligar\”. Senti a necessidade de puxar mais oxigênio, senti os batimentos do meu coração e eles aumentavam no galope, pensei na minha vózinha morimbunda, não teria dinheiro pra comprar os remédios dela, minha vista escureceu. Acordei com o Paulo asfixiando-me com um pano a cheirar vinagre, afastei o braço dele e me coloquei sentado com os braços apoiados no joelho e cabeça baixa. \”Me deixa eu recuperar o fôlego aqui Paulo, depois pego as minhas coisas e vou embora\”. \”Bah! Embora pra quê, guri? Não aguenta um desmaiozinho?\”. \”Eu fui demitido…\”. \”Ah, eu entendo. Tu não tá na rua não. Vão é te mudar de função Binho véio\”. Olhei pra ele, e abracei-o emocionado. \”Me larga seu tricolor fedido!\”. Sou colorado, mas nem fiquei incomodado, meu emprego estava assegurado. Depois daquela confusão tudo melhorou para mim aqui na empresa, perguntaram e ficaram sabendo que meu nome é Valdinei que torço pro colorado, e até me convidaram pra jogar truco nos churrascos da empresa. Mas o melhor foi ter minha função alterada: passei a ser o responsável por mapear os metadados, escanear, e inserir as NF\’s no sistema. Estou pra ser efetivado assim que concluir meu curso, o que vai quase dobrar meu salário. Pena que a vovó acabou morrendo. Se bem que agora posso gastar a grana do remédio da véia com putaria. __ foto: eric.acevedo.

    2009-07-27T08:59:24.000Z

    July 27, 2009
  • Sou Empreendedor

    PEDRAS

    Idéias geniais só tem quem é gênio. E a modéstia nem precisa ficar a parte, porque não tenho: sou um gênio. Minha genialidade é tamanha que resolvi vender pedra. Pensei comigo, vou encontrar um jeito de empurrar isso para a galera comprar, como tenho idéias fodas de Marketing e sou formado em Administração de empresas pela UNISCNA vou conseguir fazer com que as pessoas comprem algo que não vai melhorar a vida delas em nada. Precisava de um fornecedor. Visitei algumas pedreiras nas proximidades da cidade em que tenho residência. Em todas analisava o histórico da empresa, observava como os funcionários estavam vestidos, os termos que todos proferiam, a documentação, se tinha ou não iniciativa de aumentar a capacidade instalada e principalmente: a biografia do Presidente. Fiz uma tabela no Microsoft Excel na qual listei para cada empresa as características que observei, imprimi em várias folhas e grudei elas no meu quadro negro no qual fazia anotações e simulações da logística. Resolvi que precisava antes de tudo escolher os parceiros de negócios, somente então teria capacidade de escolher o melhor fornecedor. Escolhi os parceiros que melhor se encaixavam nas minhas necessidades de embalagem, distribuição e segurança. Além disso contratei uma acessoria jurídica. Com quase tudo definido escolhi os locais dos primeiros PDV\’s e negociei o aluguel dos mesmos através do pessoal do jurídico. Assim eu já estava habilitado a escolher o fornecedor, abaixo listo os stakeholders: FORNECEDOR: Quality&Best Serviços Terceirizados LTDA Contato: Pablo Escobar Julian EMBALAGEM: Rodriguinho, Miúdo e Valdilesca. SEGURANÇA: Cotoco, Flavio Capeta, Jurandir, Zão e Bininho. ACESSORIA JURÍDICA: Rolandro Silva, na PM. Doutor Roberto, na CIVIL. DISTRIBUIÇÃO: Lulinha (aviãozinho); Rafinha (aviãozinho); Quitinho (aviãozinho). Ficarei milionário! __ foto: aeu04.

    2009-07-25T17:06:26.000Z

    July 25, 2009
  • Meu Reinado Por Uma Festa

    Família
Real

    A Família Real

    Em 2002 o Centro Acadêmico de Ciências Sociais sofreu um golpe de estado e passou a chamar-se Centro Acadêmico Hugo Chaves. Lembro dos alunos estourando o cadeado Papaiz e invadindo a sala que contava na época com um PS One com 4 jogos e dois controles, uma tv Toshiba de 20 polegadas, um computador da marca Positivo com processador Sempron, uma mesa de ferro daquelas usadas em barecos próximos da reitoria, um sofá com o encosto do assento do meio quebrado e um mural confeccionado em isopor e emoldurado com alumínio. O Presidente, o Primeiro Secretário, o Secretário de Esportes, a Secretária de Eventos, o Secretário de Comunicação, o Secretário de Assuntos Políticos e os apoiadores nada puderam fazer contra as vinte pessoas que insurgiram e derrubaram o governo atual do Centro Acadêmico que tinha sido re-eleito por uma pequena margem de votos (120 contra 110 da oposição). A revolução estava a toda, armados com placas com dizeres de liberdade e rostos de personalidades políticas paradoxalmente relacionadas (como Guevara e Dalai), os alunos ouviram discursos sobre a nova relação que o Centro Acadêmico teria com o Reitor entre outras promessas. E triunfante, o líder que tinha seu cabelo comprido e encaracolado vibrando ao gosto do vento gelado que entrava pelas janelas, informou sobre a mudança do nome do CA. Agora chamar-se-ia Centro Acadêmico Hugo Chaves. Pois bem, nessa época eu era aluno do terceiro ano e estava alheio a todas as movimentações político-acadêmicas. Porém, aquele golpe me fez repensar meu papel. Diante dos acontecimentos decidi me arriscar com uns colegas e questionar o golpe realizado por aqueles malucos do segundo ano. Foi o que fiz no dia da Reunião da Pró-reitoria responsável. Dizia que aquele golpe jamais era válido pois feria os princípios do ensino, pesquisa e extensão da nossa Universidade, os servidores administrativos concordaram e me inscreveram como possível líder do novo governo do CA Hugo Chaves. Uma vez empossado resolvi clamar por um recurso esquecido nas Leis relacionadas: \”instituição de forma substantiva de um novo sistema de governo\”. A minha proposta foi aprovada (e jamais ninguém sabera o real motivo. Esta verdade é que eu comi a professora mais conhecida do departamento e tinha algumas fotos dela nua. Um pouco de pressão foi suficiente para que ela encontrasse jeito de convencer o resto do quorum político necessário para a aprovação). Agora o Centro Acadêmico Hugo Chaves era conduzido por um sistema governamental monárquico no qual eu e minha namorada éramos a Família Real. Um adendo importante é contar que o nome do CA permaneceu sendo aquele em homenagem ao líder populista da Venezuela. Organizamos diversas festas com cerveja barata para conseguir o apoio ainda mais incondicional dos súditos. Após alguns meses já não havia um estudante sequer a questionar nossas atitudes. Éramos realmente uma família Real. Entretanto, o cidadão que um dia fora o Presidente do CA estava insatisfeito e eu percebi isso quando ele se recusou a ir à festa que organizamos na Chácara do Buraco. Conversei com ele e concedi o título extraordinário de Primeiro Príncipe do Centro Acadêmico Hugo Chaves. Na terça-feira ele acabou aparecendo no intervalo das aulas para cumprir a função que lhe fosse demandada. Pois bem, vós que sois meu herdeiro direto contatai a distribuidora de bebidas Rei das Bebidas em meu nome e negociai cerveja barata para a festa vindoura. Seis meses e meu Reinado era absoluto. Eu mantinha os súditos felizes provendo-lhes álcool para suportarem a carga de estudos, eles permaneciam inrevoltosos contra minha pessoa Real. E então veio o fato que derrubou o Reino do Centro Acadêmico Hugo Chaves. Estava rolando uma grande festa, a maior que já havíamos produzido. Esta contava com a participação dos cursos de Filosofia, Economia, Direito, Odontologia e Engenharia Florestal. Minha diplomacia era conhecida por todos, e num golpe de unificação dos povos concebi este evento reunindo filósofos, comunistas, capitalistas, dentistas e carpinteiros. Foi um final de semana de festa acampado na Fazenda Vinho Tinto, foi a maior festa que aquela Universidade já viu. Na sexta a noite o pessoal chegou e nós tínhamos uma equipe vestida com camisas portadoras do rótulo Staff. O Staff ajudou a assentar os comunistas, fazer check-in dos capitalistas, marcar consultas com as dentistas, e foi ajudado pelos carpinteiros a construir uma fogueira. Os filósofos organizaram-se e ficaram ao relento. Providenciamos alguns cobertores para eles e a possibilidade de emprestar barracas e colchonetes. Quando o relógio marcou meia-noite, a banda Aqui Com Tudo subiu ao palco, o pessoal se juntou próximo do palco e da fogueira. E antes deles começarem a cantar \”Menina To Contigo Nessa Noite Fria\” discursei para meus súditos e o pessoal além-Reino. Palavras de Ordem, conclamei o evento como um Festival, instaurei a Liberdade, concedi créditos para a Razão e enquanto todos deliravam com palmas, assovios e risadas bem sonorizadas saí do palco. Meu fade-out deu início ao fade-in e então já se ouvia: \”quando estou contigo / menina nesta noite fria / quero amar sua boca / suas coxas e sua amiga\”. Rei. Chamou a minha namorada. E não lembro de muita coisa depois disso. Acordei por volta das 17h e já havia movimentação das pessoas no palco e em pequenos grupos reunidos como feudos espalhados pela área da festa na fazenda. Como um pai orgulhoso do filho, tirei fotos para colocar no Blog Real do CA Hugo Chaves. Então a noite de sábado foi parecida com a do dia anterior. Tivemos outra banda de sucesso entre os súditos, e diversão até o grande churrasco de domingo. O Primeiro Príncipe e sua equipe estavam servindo a carne do churrasco de domingo quando o som foi desligado e ouvi sirenes. Lembro muito bem da cena, um cidadão caminhando a passos rápidos em minha direção com um papel na mão. Quando chegou indagou se eu era o senhor Leandro Roberto Silveira da Penha, vulgo Rei Leandrinho. Afirmei e meus braços foram jogados para uma região nas costas na qual nunca havia encostado os dedos e lá permaneceram juntos. O senhor está preso, senhor Leandro Roberto, por tráfico de drogas. A festa acabou na mesma hora. Fui para a delegacia, respondi processo e peguei seis meses de trabalho comunitário. Diziam que mesmo não sendo traficante havia facilitado o tráfico e o uso dos entorpecentes. A Rainha me largou e o Centro Acadêmico teve seu nome e regime substituído, agora era Republicano e chamava-se Centro Acadêmico de Ciências Sociais Marx & Weber. A vergonha era tanta que acabei por desistir do curso. Acabara meu Reino, acabara minha vida acadêmica. Fui deposto pela Polícia Federal. __ Foto: lewis chaplin.

    2009-07-21T18:53:21.000Z

    July 21, 2009
  • Tempo Perdido Tempo De Brinde

    Bem na horinha que entrei no elevador tive uma iluminação: sou eu quem está fazendo um favor, ao escrever no novo-MUNDO, e não os leitores, em seu ato de ler, comentar e acompanhar o blog. A lógica [do petrefiolismo] completa a respeito deste insight é infinitamente mais humilde do que está parecendo. De qualquer modo, este pensamento foi uma repensada a respeito do blog, e acho, mais uma vez, que encontrei um caminho para tornar isso aqui um site melhor para o ecossistema interwebs. Outro pensamento que me ocorreu num destes dias foi a respeito do tempo ocioso e chato, que existe quando se troca uma roupa. Olhando em médio-macro, o tempo não é ocioso porque você terá ao final de um ato, trocado de roupas. Mas se pensar no médio-micro da situação, enquanto você troca a roupa, o tempo se estende por infinito+1. E este tempo é ocioso. Mais um exemplo é o tempo em que passamos dentro do elevador. Você terá subido, ou descido, ao final daquele tempo. Mas no ínterim estará em um infinito de tempo ocioso em que a única utilidade, por mais que você escreva um sms, por mais que você arrume a roupa e o cabelo no espelho, por mais que você risque a parte metálica da porta com a chave, esse tempo do elevador que será infinito e ocioso terá sua única utilidade em ser, invariavelmente, inundado por pensamentos. Pensamentos geram pensamentos. Sinapses e neurônios trabalhando juntos para mais um sistema em looping no universo. Meu professor de Ergonomia da Informação não se restringe a explicar o que é, quais os autores proeminentes e como fazer um trabalho de Ergonomia de Informação. Ele vai além e explica a origem das palavras que pertencem à disciplina, e então conta histórias, conta teorias, e diz que algumas pessoas têm visão atolada (bitolada) (tritolada?) comparando-as com \”colocar em uma sala redonda e mandar cagar no canto\” (também estou tentando entender a relação até hoje), etc. O importante é que no último texto ele falou sobre os neurônios e as sinapses. Eu já tinha ouvido algo sobre o assunto em algum Discovery Channel da vida, mas é sempre bom ser lembrado do quão impressionante é o cérebro. E aquele primeiro pensamento que expliquei no texto, que me ocorreu no elevador, é resultado de toda a minha vida. E mais recente, da leitura de um texto escrito pelo Cardoso sobre o twitter. O twitter quase matou meu blog também. Para fechar, digo que aquele pensamento aconteceu comigo no papel de leitor. Que eu gosto de ler blogs, e que gostaria de ver cada vez mais blogs espetaculares como o Nimias Cosas Mínimas, e tantos outros que pintam por aí. Porque estes blogs afetam os neurônios, e tornam o meu tempo ocioso chato, em ocioso produtivo interessante. __ foto: rucativava.

    2009-04-22T16:56:59.000Z

    April 22, 2009
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