
Of course, randomness isn’t the only thing necessary for free will. But it does mean that your fate is not necessarily sealed. So, when you resist that second cookie, or turn off the TV in the evening, you can take pride in the fact that maybe, just maybe, the choice was yours after all.
Photons, Quasars and the Possibility of Free Will
2018-12-05 06:25:45
Svetlana Aleksiévitch\’s books tells only one story. The story of human being in a specific period and region. The Great Patriotic War, the Soviet–Afghan War, the Chernobyl disaster and the fall of Union of Soviet Socialist Republics are just background for the documented speech of common folks smashed by those happenings. By herself:
…how many novels vanish without a trace! Disappear in the darkness. We haven’t been able to capture the conversational side of human life for literature. (…) I love how humans talk, I love the lone human voice. This is my greatest love and passion.
First I\’ve read The Last of Soviets (2016). Never I\’ve read something so impactful about human life. Of course I\’m not the most avid reader. But I\’m sure the stories documented by Svetlana are unique. People that saw their loved one disappear and never come back, who went to forced labor fields, who were underneath the constant yoke of an overwhelming power. And yet they found motives to be happy. Like an old man once punished but still lover of soviet socialist utopia. The stories are catchy, Svetlana\’s testimony literature got me in a particular way. It\’s so clear the necessity to register, under all aspects, and never forget, what happened. The war, Stalin, Chernobyl. However, by those witnesses, that were floating in those unaccountable events. Svetlana affirms several times in Voices from Chernobyl how much the russian and ex-USSR republics\’s people seek explanation for those events. If the post-war, post-Stalin and post-Chernobyl\’s life had only one objective: what had happened? In Voices from Chernobyl facts are accessories to human emotions. It opens the curtains. The spouse of a fireman that went to work in the nuclear explosion fire tells about unconditional love, one of terrible consequences. Real lives. Sometimes it doesn\’t feel that, it\’s all so extreme. What humans can do, how can they react. The work\’s subtitle are A Chronicle of the Future (Portuguese version; UK too). We ask ourselves why. Svetlana answers. Chernobyl opened the curtains. Chernobyl isn\’t the past. Is it the future?
The most fair thing in the world is death. No one can scape it.
Death turns to be the relief. One case of a child that met a boy in a camp. Then their friends told him she was from Chernobyl. Never again he talked to her. Her dream?
Now, when I think about the future, I dream with finishing studying and going far away from here, somewhere no one know where I am from. So someone can love me. And I can forget everything.
Chernobyl is the future.
I work at the mortuary. This morning, I still haven\’t time to take off my jacket when the door opened and a woman came inside, more than hiccups, she screams: \”Take the medals, with all the certificates. Take the compensations! Give me back my husband\”
The people beside the nuclear center lived like they were in stone age. The invisible death confused them. They were told to clean everything, to remove a layer of earth, to bury ashes of the wood-burning stove. Some stories are comic:
You went outside town, and beside the road scarecrows started to appear; a grazing cow covered in plastic and beside it an old lady covered in plastic too. You could\’t choose between laughing or crying.
The country that put the first man in space fought the atom with a shovel, literally. Thousand were called in urgency to bury the fourth Chernobyl nuclear reactor\’s guts. Radiation many times beyond the deadly dose. A sarcophagus to bury the potential unspeakable killer. And the chance of a new explosion and the contagious of a larger portion of Europe, and the world.
…I think so, It\’s the price we pay for the rapid industrialization after the revolution. (…) What our peasant has beyond their hands? Until today! The axe, the scythe, the machete. That\’s all. That\’s the peasant world. Oh, and the shovel too. (…) His conscience oscillate between two epochs, two eras: stone and atomic one.
And that\’s the man\’s disaster to man. And for the other animals too. Svetlana, it looks, emphasizes what happened to the animals. Earthworms and beetles, revoked and buried. Cats and dogs shot dead by hunting groups ordered to contain everything that could spread radiation. While themselves were dying with radiation doses – curies and roentgen. Other pillars of soviet people stand out too: vodka, literature and the jokes. Vodka was recommended as protection against radiation; literature, always about suffering, born from it, and the jokes…
Chernobyl jokes. Shortest: \”What a good people were the belarussians\”.
Before Chernobyl were 82 cases of cancer per 100 thousand inhabitants. After, number went up to 6 thousand. One of five belarussians live in contaminated area. Thousands of tons of cesium, iodine, lead, zirconium, cadmium, beryllium, boron, plutonium; equivalent to 350 bombs like the one dropped in Hiroshima. Voices from Chernobyl register the past to talk about the future. Who is the man? What he is capable of? What is love? Death? Witnesses gain a voice with Svetlana\’s work. They spill over us the reality that no fiction can match. Where are we going after Chernobyl?
2018-08-15 14:48:51
Os livros de Svetlana Aleksiévitch contam apenas uma história. A história do ser humano em um período e região específicos. A Grande Guerra Patriótica, a Guerra soviética do Afeganistão, o desastre de Chernobil e a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas são apenas pano de fundo para a documentação do discurso de pessoas comuns trituradas por estes acontecimentos. Por ela mesma:
…quantos romances desaparecem sem deixar rastro no tempo. Permanecem na escuridão. Há uma parte da vida humana, uma conversação que não podemos conquistar para a literatura. (…) Adoro a forma como as pessoas falam, adoro a voz humana solitária. Essa é a minha maior paixão, o meu maior amor.
Primeiro li O Fim do Homem Soviético (Companhia das Letras – 2017). Jamais tinha lido algo tão impactante sobre vidas humanas. É claro que não sou o mais ávido dos leitores. Mas tenho certeza que os relatos documentados por Svetlana são únicos. Pessoas que viram os seus sumirem e nunca mais voltarem, que foram para campos de trabalho forçado, que estiveram sob o jugo ininterrupto de uma força esmagadora. E que ainda assim encontravam motivos para serem felizes. Como um idoso uma vez punido mas ainda amante da ideia utópica do socialismo soviético. Os relatos são cativantes, a literatura de testemunhos de Svetlana me conquistou de modo único. É tão clara a urgência de se registrar, sob todos os ângulos, e nunca mais esquecer, o que aconteceu. A guerra, Stalin, Chernobil. Porém, sob testemunho daqueles que estiveram boiando nesses oceanos de eventos inexplicáveis. Svetlana afirma em diversas passagens de Vozes de Tchernóbil o quanto o povo russo e dos países da antiga URSS buscam uma explicação para estes eventos. Como se a vida pós-guerra, pós-Stalin e pós-Chernobil só tivesse esse objetivo: o que foi que aconteceu? Em Vozes de Tchernóbil os fatos são coadjuvantes às emoções humanas. Eles apenas abrem a cortina. A mulher do bombeiro que foi apagar o incêndio de uma explosão nuclear conta sobre o amor incondicional, de consequências terríveis. São vidas reais. As vezes não parece, é tudo tão extremo. O que o ser humano pode fazer, como pode reagir. O subtítulo da obra é Crônica do futuro. Nos perguntamos por quê. E Svetlana responde. Chernobil abriu as cortinas. Chernobil não é o passado. Chernobil é o futuro?
A coisa mais justa do mundo é a morte. Ninguém ainda pode evitá-la.
O consolo passa a ser a morte. O caso de uma criança que foi para um acampamento e conheceu um garoto. Então os amigos do garoto avisaram que ela era de Chernobil. E nunca mais ele se aproximou dela. Seu sonho?
Agora, quando penso no meu futuro, eu sonho em terminar a escola e ir embora para bem longe, para um lugar onde ninguém saiba de onde eu sou. Lá alguém poderá me amar. E eu vou poder me esquecer de tudo.
Chernobil é o futuro.
Eu presto serviço no comando funerário. Esta manhã, eu ainda não tinha tido tempo de tirar o paletó quando a porta se abriu e entrou uma mulher que, mais que soluçar, gritava: “Fiquem com as medalhas, com todos os diplomas. Fiquem com as compensações! Mas devolvam o meu marido”
A morte invisível confundia um povo que vivia ao lado do centro nuclear como se estivessem na idade da pedra. Lhes falavam para lavar tudo, remover uma camada de terra, enterrar as cinzas do fogão a lenha. Alguns relatos chegam a ser cômicos:
Você saia da cidade, e ao longo da estrada surgiam uns espantalhos; via uma vaca pastando coberta por um plástico e ao lado dela uma velha também coberta por plástico. Você não sabia se ria ou se chorava.
O país que colocou o primeiro homem no espaço combatia o átomo com a pá, literalmente. Milhares foram convocados com urgência para enterrar as entranhas do retor número quatro de Chernobil. Doses de radiação muitas vezes além da dose mortal. A construção de um sarcófago para enterrar o potencial assassino inenarrável. E a possibilidade de uma nova explosão e o contágio de uma porção enorme da Europa, e do mundo.
… eu penso que sim, que isso é o preço que pagamos pela rápida industrialização depois da revolução. (…) O que o nosso camponês possui além das suas mãos? E até hoje! O machado, a foice, o facão. É tudo. É nisso que o seu mundo se apoia. Ah, e também a pá. (…) A sua consciência oscilava entre dois tempos, entre duas eras: a da pedra e a atômica.
E assim o desastre do homem para o homem. E também para os outros animais. Svetlana, ao que parece, faz questão de ressaltar o que houve com os bichos. Desde as minhocas e besouros cavados, revirados e enterrados. Até os gatos e cachorros assassinados friamente pelos grupos de caça ordenados para conter tudo o que pudesse espalhar a radiação. Enquanto eles mesmos sorviam medidas de radiação – curies e roentgen. Destacam-se também outros pilares do povo soviético: a vodka, a literatura e as piadas. A vodka, recomendada como proteção contra a radiação; a literatura, sempre falando do sofrimento, nascida dele; e as piadas…
Anedotas de Tchernóbil. A mais curta: “Que bom povo eram os bielorussos”.
Eram 82 casos de câncer por 100 mil habitantes antes de Chernobil. Depois o número atingiu 6 mil. Um em cada cinco dos bielorussos vive em área contaminada. Milhares de toneladas de césio, iodo, chumbo, zircônio, cádmio, berílio, boro, plutônio; o equivalente a 350 bombas como a que foi lançada em Hiroshima. Vozes de Tchernóbil registra o passado para falar do futuro. Quem é o homem? Do que é capaz? O que é o amor? A morte? As testemunhas ganham voz através da obra de Svetlana. Nos despejam uma realidade que talvez a ficção não tenha como igualar. Para onde vamos depois de Chernobil?
2018-07-19 18:28:01
E daí, já que meus livros foram traduzidos para 40 línguas e venderam 27 milhões de exemplares? Eles irão todos desaparecer, já que enxurradas de novos livros estão inundando tudo, arrastando tudo o que foi escrito antes. Hoje, um livro numa livraria não tem nem tempo de pegar um pó. É verdade que atualmente vivemos mais, mas a vida de todas as coisas ao nosso redor ficou bem menor. O mundo está morrendo tão rapidamente que não é mais possível se acostumar a nada. – Stanislaw Lem, em entrevista para a Folha
2018-06-19 19:02:09
Para Einstein as descobertas da física quântica deveriam estar erradas porque violavam alguns dos princípios em que ele acreditava (princípios que provavelmente o ajudaram a construir suas teorias).


O princípio mais famoso que a física
quântica jurou de morte foi o da
localidade. É possível (numerosos experimentos já comprovaram) que
uma partícula pode influenciar outra a distância sem que qualquer
informação viaje entre as duas. Isso é comunicação mais rápida que a
luz, e como nada poderia viajar mais rápido que a luz devido a própria
natureza do Universo, Einstein dizia que isso era uma \”estranha ação
fantasmagórica a distância\”. Mas tem outra coisa que a física quântica
salvou: o livro arbítrio.
No Universo de Einstein, se você conhecer todas as partículas e todos os
seus momentos, conseguirá prever o estado seguinte do Universo. Isso
significa que se você conhecer o estado completo do Universo poderá
prever as ações de um ser humano, sendo assim, seríamos desprovidos de
escolha. Tudo já \”está escrito\” desde que se deu o Big Bang, o
início do Universo. A física quântica – que poderia muito acertadamente
ser chamada de física estranha – tem outro princípio assustador, o
Princípio da Incerteza de
Heisenberg. Este diz que é impossível conhecer a posição e o
momento de uma partícula, se sabe-se um, perde-se a segunda informação.
Ou seja, em um Universo quântico aceitamos o fato de que não temos como
saber o estado seguinte do Universo porque este não pode ser medido em
sua totalidade. O importante aqui é ver a distinção entre o Universo de
Einstein, em que estados anteriores determinam estados futuros, e o
Universo quântico no qual isso não acontece.
Porém, a mera qualidade probabilística da física quântica não prevê
que temos livre arbítrio. Nossos pensamentos dentro de nossas cabeças,
que antes seriam ordenados e passíveis de previsão, se tornam aleatórios
e impossíveis de prever, contudo, permanece a nossa falta de controle
deste processo. Seríamos apenas seres geradores de aleatoriedade.
Autômatos não menos cegos que no Universo determinista clássico.
Mas talvez tenhamos uma chave especial em nosso cérebro, em nossa
consciência, que nos permita de alguma forma influenciar o processo
quântico de probabilidades. Até hoje se sabe pouco sobre a consciência
humana e sobre como é o funcionamento do cérebro animal. Tem-se
sugestões, a maioria baseada em medições das correntes elétricas
cerebrais, de como são e funcionam as coisas dentro da nossa cabeça. É
possível que algum misterioso processo mental possa influenciar para
mais ou para menos uma probabilidade de pensar em A ou B? Se nos
experimentos os cientistas afirmam que medir uma partícula afeta o
sistema quântico, porque nosso cérebro não poderia fazer algo nesse
sentido?
Imaginemos uma árvore de pensamentos. Ao pensar em A, você abre a
possibilidade de pensar em AB ou AC ou AD. Ao escolher pensar em uma
dessas possibilidades, digamos, AC, você abre outro nó de escolhas: ACA,
ACB, ACC. E assim por diante, sempre que um \”galho\”, um caminho da
árvore é escolhido, novos caminhos vão se abrindo em seguida.


Esta
ideia de uma árvore de pensamentos pode existir normalmente no Universo
quântico em que não tenhamos um dispositivo cerebral capaz de interferir
no processo. Não poderá existir no Universo
determinista, pois o caminho da árvore já está definido, apenas
percorreríamos o que já estava traçado desde o início dos tempos.
Voltando ao Universo quântico em que tenhamos algo de especial em nosso
cérebro animal, algo que nos permita puxar as probabilidades para cá ou
para lá conforme nossa vontade ou outros fatores: a árvore de
pensamentos é uma possibilidade. Nessa analogia podemos encaixar a
capacidade única humana de \”imaginar\” o futuro ou coisas que não
existem. Seria como \”prever\” um nó da árvore de pensamentos que
está lá ou não está. Então procedemos a executar pensamentos e escolher
galho após galho tendo como norte um nó imaginado. Talvez daí a
capacidade tão avançada do Homo Sapiens frente as outras espécies. Não
que outras espécies não tenham este artefato da árvore de pensamento,
talvez só não consigam – e não se importem – em imaginar nós futuros e
fazer esforço mental em busca deles. E sem esse detalhe fundamental,
vivem a mercê da aleatoriedade.
Então imaginemos uma complexa árvore de pensamentos, por exemplo:
Relatividade Geral de Einstein. Einstein se pôs a pensar a partir de
alguns postulados para construir uma árvore de pensamento que
desenvolveu-se até o ponto da elaboração da Teoria da Relatividade
Geral. Quantos serão os galhos quebrados na cabeça de Einstein quando
este encontrava becos sem saída? Então imagine que ele pulava para outro
pensamento anterior ou vizinho e continuava o seu desenvolvimento a
partir deste. Ao fim do árduo trabalho de raciocínio, Einstein encontrou
um caminho frutífero a um pensamento original: a Teoria da Relatividade
Geral. E agora, de posse do caminho de raciocínio que o fez atravessar
toda a árvore, ele pode usar a linguagem para informar a outros seres
humanos como chegar até lá. Os outros não precisam elaborar a
gigantesca árvore de pensamentos que Einstein elaborou em sua cabeça,
basta que entendam o caminho específico de galhos que levou ao sucesso.
Então a linguagem seria uma forma de compartilhar caminhos nestas
árvores de pensamentos. Uns tipos de linguagem seriam mais
especializados que outros na tarefa de percorrer os galhos ou criar
uma nova árvore. O maior exemplo com certeza é a Matemática, que permite
uma exploração mental a partir de uma conotação simples. Seria como se
esta linguagem permitisse ao seu conhecedor explorar mais galhos em
menos tempo, e melhor: entrar em menos \”galhos sem saída\” do que um
explorador que não a utilize.
Num Universo em que nosso cérebro passa ao largo das estranhezas
quânticas, não temos qualquer livre arbítrio e o futuro já está
escrito. Num Universo em que nosso cérebro opera no reino quântico,
o futuro é incerto, mas quanto ao livre arbítrio surgem duas
possibilidades: A primeira é que não temos uma ferramenta que nos
permite ativamente alterar as probabilidades. Nesse caso não há livre
arbítrio. A segunda é que temos uma ferramenta capaz de alterar as
probabilidades em qualquer grau. Neste caso, nosso esforço mental em
pensar isso ou aquilo tem frutos, e consequentemente, temos livre
arbítrio.
Looking Glass Universe (em
inglês) Canal no YouTube que explica física quântica de um jeito
simples (pelo menos o mais simples possível).
Einstein. Sua Vida, Seu Universo – Walter
Isaacson
Biografia do gênio mais icônico da história.
O Tecido do Cosmo – Brian
Greene Um
apanhado desde os primórdios da física até os desenvolvimentos das
Teorias das Cordas. Com metáforas que explicam a relatividade em
Springfield (sim, Os Simpsons), Greene torna fácil de entender os
conceitos complicados para leigos.
50 Ideias de Física Quântica – Joanne
Baker Os
principais conceitos de Física Quântica mostrados de uma maneira
extremamente simples. Leitura fácil e agradável.
2018-06-01 09:58:55
advice I\’d like to got earlier in life: \”semicolon is optional in javascript\”
2018-05-30 11:08:36
O Marcelo mandou um link no grupo do WhatsApp. \”The Science of Well-Being – YALE – Coursera\”. O trabalho dele sempre o deixa informado das coisas interessantes acontecendo na ciência e tecnologia. Taí um caso como exemplo. Um curso sobre felicidade, que legal. Deve ser bastante interessante. Mas não é pra mim. Não consigo nem me organizar em torno das coisas que sou obrigado a fazer, imagina acompanhar um curso online. Não tenho a disciplina. O Fernando falou que vai fazer. Que bom, ele vai gostar. Eu também gostaria. Mas não tenho a disciplina. Marcelo diz que também não é disciplinado mas que o Coursera manda avisos por email, pelo app, por telegrama… Quer saber, vou me cadastrar porque perder não perco nada, o Coursera me avisa e faço a primeira semana para ver qual é. E fiz. E fiz todas as 6 semanas. Em torno de 2 horas a cada uma ou duas semanas e terminei. Bem verdade que foi todo fora dos prazos sugeridos por eles. Mas aí, até que eu tive um pouco de disciplina.
***
Laurie Santos, 42, é professora do Departamento de Psicologia de Yale. Sua disciplina é a mais popular nos 316 anos de história da prestigiada universidade americana. Neste ano, 1200 alunos se registraram para ouvi-la falar a respeito das descobertas da ciência sobre a felicidade. Da popularidade veio a ideia de criar uma versão curta da disciplina e colocar na internet. Para nossa sorte, gratuitamente via Coursera. A primeira parte do curso introduz todas as ideias erradas que temos sobre felicidade. E mostra como é que nossa mente nos engana para darmos tanta importância a elas. A parte seguinte é usada para mostrar o que fazer para lidar com estes problemas. Estratégias embasadas por estudos científicos que tem o poder de mudar nossos hábitos.
***
Na ciência há que se medir o antes, o durante e o depois. Pois começamos recebendo a instrução de fazer um \”Teste de nível de felicidade autêntica\”. E devemos repeti-lo ao longo das 6 semanas (e quiçá ao longo da vida) para verificar se nossas ações estão surtindo efeito.
Não é muito dinheiro. Na verdade um pouco de dinheiro é bem importante. Nos Estados Unidos esse valor gira em torno de 75 mil dólares anuais. A ideia é ter todas as suas necessidades básicas supridas. Qualquer valor além, pode até te fazer mais infeliz. Não é um casamento. A felicidade sobe junto com a expectativa de casar e visualizar uma vida eterna com a pessoa amada. Mas as pesquisas são claras: 2 anos depois o nível de felicidade do casal volta ao nível normal. Ninguém é mais feliz apenas por ter casado. Não são notas boas. O efeito que notas boas e ruins tem sobre a felicidade são passageiros. Esperamos que tais números nos afetem de forma muito importante, mas quando se mede, se vê que o efeito é muito menor que o esperado. Não é um corpo perfeito. Pessoas que emagrecem bastante e alcançam seu corpo perfeito correm riscos altíssimos de desenvolver problemas que no final das contas afetam negativamente sua felicidade. Não significa que emagrecer é ruim, mas sim que emagrecer pelo motivo utópico do corpo perfeito é. Não são os objetos incríveis (oi meus ex-queridos iPhone X, Tesla, Drone, etc). Nos adaptamos rapidamente a tudo. De tempos em tempos se lança um smartphone diferente e agora o anterior, que era nosso sonho de consumo, vira um estorvo. Pior: nosso carro que antes era uma maravilha de prazer agora é um problema gigante do qual temos que nos desfazer para…comprar um mais novo.
Esta palavra que não consegui traduzir para o português significa: as coisas que nós achamos que queremos e que no futuro não iremos gostar mais. Acontece que nós temos intuições a todo momento e a maioria delas está errada.
Para a nossa máquina de querer, tudo é relativo. Nosso cérebro não tem ideia do que é bom ou ruim, do que é rico ou pobre. Então ele busca desesperadamente por sinais, e encontra farto estoque deles na TV e nas Redes Sociais, por exemplo. Um estudo mostrou que alunos que estão para se graduar preferem ganhar 50 mil e seus colegas 100 mil do que ganharem 100 mil enquanto seus colegas ganham 250 mil. A cada \$1 dólar que ganhamos, queremos um incremento de \$1.40.
Como já dito, nossa mente se acostuma com tudo. E pior, nós não nos damos conta disso.
Coisas legais: troque-as por experiências legais. Por quê? Experiências acabam. Seu cérebro não terá tempo de se acostumar com aquelas férias na Europa. Vai ficar a lembrança deliciosa (e reviver boas memórias nos deixa bastante felizes). Saboreie as experiências: tente se colocar fora do seu corpo, tente olhar como um expectador. Se dê conta que um dia aquilo que você tem não existirá mais. Tem uma palavra para resumir o que vem depois desse momento. Gratidão: cliche gigantesco, efetividade gigantesca. Sentir-se grato por experiências que você vive ou viveu é uma forma gratuita e eficaz de ser feliz. Evite adicionar pontos de referências irreais: isso mesmo, abandone as mídias sociais. Estudos mostram que parar de usar mídias sociais nos faz muito mais felizes do que ganhar dinheiro. O problema das mídias sociais é que elas viciam nosso cérebro em pontos de referência irreais: todo mundo é feliz, todo mundo faz viagens, todo mundo se diverte, as pessoas tem as coisas que eu não tenho, etc. Lembre-se, nossa mente funciona em termos relativos.
Repense as coisas que você quer e as queira pelos motivos certos. Um bom emprego não é aquele que paga bem, mas sim aquele que nos dá oportunidade para utilizar nossas fortalezas. Pesquisadores criaram um teste para você descobrir quais são as suas. Boas notas: descobriu-se que a motivação externa pode destruir nossa motivação interna caso tenhamos um padrão fixo de mentalidade. Mas todos podem ter um padrão de crescimento, basta aprender sobre ele. Isso mesmo, o simples fato de ler a respeito de um mindset positivo (saber que nosso cérebro é maleável e podemos aprender a respeito de qualquer coisa) ajuda a remover a parte ruim das motivações externas! Gentileza: deu-se \$5 para pessoas aleatórias. Mediu-se a felicidade de todos. Para o primeiro grupo foi pedido que gastassem o dinheiro com eles mesmos, como quisessem. Para o segundo grupo foi pedido que gastassem o dinheiro com outra pessoa. Depois mediram o nível de felicidade subjetiva de ambos os grupos e quem gastou o dinheiro com outras pessoas teve mais que o dobro de aumento no nível de felicidade subjetiva. Os outros pontos importantes para ser feliz são: Conexões sociais: por mais simples que sejam, até um sorriso para pessoas estranhas já ajuda no nível de felicidade (de ambos). Puxe conversa com desconhecidos, pesquisas garantem que antes parece ruim, mas depois as duas pessoas ficam muito mais felizes. Ter um tempo livre: o tempo que você pode \”jogar fora\”, fazer algo que gosta com ele, não se preocupar. Controle da própria mente: não deixar sua mente ficar vagando por aí a todo momento, pensando no futuro, nos problemas. É daí que a prática de meditação é tão efetiva. Concentrar-se no aqui e agora afeta bastante a nossa felicidade. E por fim aquele óbvio: sono suficiente (pelo menos 7 horas por noite) e exercícios físicos.

Pois que existem ferramentas que podem te ajudar. #1 – Remova do seu dia
a dia tudo o que sugerir ações contrárias aos seus objetivos. Quer comer
menos besteira? Pare de comprar chocolates, ao invés disso compre frutas
e deixe-as bem visíveis. #2 – Defina objetivos que você possa medir.
O segredo está em visualizar de maneira clara onde quer chegar, e só
depois disso, tentar imaginar quais são os desafios até lá. #3 – Faça
planos do tipo \”SE – ENTÃO\”. SE eu abrir o Facebook no celular, ENTÃO
eu vou fechar e excluir o aplicativo. SE eu comer esse chocolate fora de
hora, ENTÃO não vou mais comprar chocolates. Parece bobagem, mas o fato
de planejar desta forma ativa os comportamentos automáticos do nosso
cérebro. Quanto mais tempo você coloca em mentalizar essa conexão,
mais efetivo será seu \”alarme interno\” que irá te ajudar a evitar se
entupir de doces ou perder horas em redes sociais. A
pesquisadora Gabriele Oettingen resumiu no acrônimo WOOP: Wish:
pare por 5 minutos e analise qual é o seu desejo. Tente identificar o
que você quer. É isso mesmo que você quer? Outcome: visualize esse
deu desejo concluído, tente de fato sentir o que você acha que vai
sentir ao ser bem sucedido. Obstacles: só depois de visualizar o
sucesso, jamais antes, comece a analisar o que pode te impedir de
alcançar aquele objetivo. O exercício te mostrará quais são as coisas
que merecem atenção para que sua ação seja efetiva. Plan: aplique o
SE / ENTÃO aos seus planos. SE acontecer este obstáculo, ENTÃO vou agir
desta forma para resolver. É uma ferramenta simples, mas que está
embasada em diversas pesquisas (com idosos, com jovens, com pessoas de
diversos países e culturas diferentes) e funciona de fato. Funciona
porque ativa gatilhos automáticos em nossa mente.
***
Eu aqui comigo pensando. Essas coisas fazem sentido. As épocas em que eu
mais conseguia resolver problemas na minha vida sempre vieram após
calmarias em que eu parava, analisava meus objetivos, via onde queria
chegar, prestava atenção no caminho e depois fazia um plano. Ser feliz é
querer menos, é viver mais, é compartilhar a vida. Cientificamente
comprovado.

E se você
não acredita em mim (nem deve). Vá e assista as palestras e leia os
materiais de The Science of
Well-Being. E você nem precisa pagar os mais de 50 mil
dólares da matrícula em Yale.
2018-05-29 22:22:44
Yuval Noah Harari é historiador, escreveu Homo Deus como sequência para do seu primeiro best-seller, Sapiens, no qual conta como a espécie Homo Sapiens competiu com outras espécies humanas, dominou o mundo e chegou até o presente. Em Homo Deus, tece uma visão das características do presente para extrapolar as possibilidades para o futuro.
Sua tese parte da revolução cognitiva humana, a qual teria nos capacitado a tecer histórias imaginárias compartilhadas por grandes grupos humanos. Desde então, estes grupos foram se tornando mais sofisticados. Na história recente observamos a queda de Deus como principal força motora humana enquanto a \”religião humana\”, o humanismo, toma seu lugar. Dentro do humanismo, três correntes competiram entre si: liberalismo, socialismo e humanismo evolutivo. Com a derrota do nazismo, o humanismo evolutivo perdeu seu principal apostador (Hitler cria na necessidade de intervir e \”salvar\” o processo darwinista de evolução humana para evitar a degradação e consequente extinção da nossa espécie). Com a queda da URSS, o mais forte bastião comunista, o humanismo socialista foi derrotado. A corrente vencedora, humanismo liberalista, venceu com seus supermercados e democracia. No entanto, venceu não por ser mais sagrado ou por fazer os humanos mais felizes. Yuval sugere que essa vitória é produto do processamento distribuído de dados. E que no século XX esta era a forma mais eficiente de desenvolvimento.
É só então no fechamento da obra que Yuval nos revela que a busca do humanismo (em especial pela corrente humanista liberal) pela felicidade da sacra vida humana encaminha a espécie para seu possível descarte na lixeira da História. O motivo é que a biologia nos aproxima de uma visão algorítmica da vida. Todos os nossos processos seriam apenas formas de processamento de dados. Sendo o Homo Sapiens o melhor nesta tarefa, prosperou diante de todos os competidores, porém, com o desenvolvimento tecnológico (em especial da inteligência artificial) é possível que estejamos a um passo de tornar nosso processamento de dados orgânico em algo obsoleto. A previsão é ampla mas repleta de exemplos atualíssimos de como a especialização humana não consegue competir com computadores, que já existem, como por exemplo, carros autônomos.
Outro ponto de destaque na obra é a questão das nossas \”escolhas\”. A
vida como um punhado de algoritmos operando deterministicamente ou
probabilisticamente como resposta ao ambiente, destrói o livre arbítrio
humano. Somado a isso, as recentes pesquisas de neurociência apontam que
não somos um perfeito indivíduo. Existem pelo menos \”dois eus\” com
intenções e responsabilidades diferentes operando dentro de nossas
cabeças.
Homo Deus é um livro
fácil de ler e que costura uma grande tese através de diversas outras
menores. Apresenta uma miríade de exemplos históricos que compelem o
leitor a puxar o celular e fazer algumas pesquisas no Google para
estender o conhecimento. Tantas conexões inéditas são uma fonte fértil
para novos insights para aqueles interessados em adivinhações sobre
nosso futuro como espécie e em caráter final da pergunta \”o que sou
eu?\”.
2018-05-20 15:58:46